Edifício Travessa da portuguesa

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A intervenção neste Edifício teve por objecto uma proposta de ampliação e reabilitação integral, interior e exterior, de um prédio urbano situado na Travessa da Portuguesa, em Lisboa.

Trata-se de um Edifício da segunda metade de seiscentos ou inícios da centúria seguinte, que inicialmente teria três pisos. No início do século XX, o segundo andar foi ampliado e foi feito o aproveitamento do sótão com a introdução de uma trapeira.

A partir do nível do sótão, fez-se a demolição integral da cobertura, convertendo-o num novo piso, autónomo, com escada interior de acesso a uma mezzanine e a um terraço, a tardoz, ao nível da cobertura.

No Alçado Principal construiu-se uma mansarda em zinco com três vãos de sacada alinhados pelos vãos existentes na fachada.

No Alçado posterior subimos um piso repetindo todos os elementos dos pisos inferiores em alvenaria rebocada e pintada e, ao nível da cobertura, mantivemos a localização da trapeira existente e introduzimos uma nova trapeira alinhada pelos vãos existentes na fachada. De forma a poder ter o melhor aproveitamento da área na mezzanine e usufruir de um espaço no exterior, criámos um pequeno terraço com comprimento igual ao das varandas dos andares inferiores, com uma guarda em finos prumos de aço lacado.

Toda a ampliação efectuada no edifício foi construída com uma estrutura portante em perfis de aço tipo HEB e aço leve revestidos a painéis de OSB, isolamento térmico e placas de gesso cartonado. A cobertura é revestida a chapa de zinco nervurado de côr verde na frente da mansarda e em telha marselha nas duas águas do telhado.

No que respeita às características do alçado principal, nomeadamente a caixilharia, colocámos  aros na côr verde escuro, à semelhança do que é tradicionalmente utilizado na rua e folhas à côr da pedra, a côr que também usámos para pintar os restantes elementos da fachada como pilastras e cornijas, assim como no alçado posterior e empenas laterais.

Este tom de verde tão característico no Bairro, quer nos aros das janelas, quer nas portas em madeira maciça pintada à mesma côr, guardas e portadas exteriores, foi a côr eleita também para revestir em forma de azulejo a fachada deste edifício. O vidrado destes azulejos, que foram exclusivamente produzidos, de modo artesanal, para este edifício, dão uma ideia de profundidade e realçam as irregularidades da base. O azulejo artesanal verde, uma côr aparentemente escura, torna-se clara pelo brilho e profundidade que transmite e destaca os elementos arquitectónicos em pedra calcária como cantarias, pilastras e cornijas. Acima de tudo, introduziu um novo ritmo cromático na rua, ao produzir uma interrupção na sequência de edifícios existentes de côr amarela.     

Relativamente à compartimentação no interior do Edifício, corrigimos a organização dos espaços funcionais, privilegiando as salas de estar e de jantar que dispõem das janelas do alçado principal, os quartos viram-se para as janelas e varanda do alçado a tardoz e as áreas de Kitchenette e Instalação sanitária, no espaço mais interior.

No que respeita aos revestimentos interiores, utilizámos a côr da pintura exterior, no interior de todo o edifício assim como os azulejos utilizados na fachada principal foram também usados no interior de todas as instalações sanitárias. No revestimento das cozinhas produzimos azulejos tridimensionais cuja côr foi afinada pela pintura das paredes de forma a conseguirmos um todo harmónico. Nos pavimentos foi aplicado soalho de riga e nos armários contraplacado de ácer. Mantivemos as guardas em ferro forjado pintado e fizemos o seu prolongamento ao longo do lanço de escadas, que serve o novo piso edificado.

O mobiliário foi escolhido ou desenhado à medida da arquitectura, de forma a garantir uma total coerência, relativamente aos princípios subjacentes ao habitar deste edifício.

 

Co-autoria (projeto de licenciamento): Célia Faria

Colaboração: Pedro Tomé

Área de Intervenção: 375 m2

Cliente: Particular

Datas: 2017 - 2019

Fotografia: Bica Arquitectos

Local: Lisboa